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Isa Penna vai entrar com ação contra delegado Olim após deputado falar que ela teve 'sorte' de ser assediada sexualmente na Alesp

A deputada estadual Isa Penna (PCdoB) entrará com uma representação no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo contra o também deputado estadual Delegado Olim (PP) para que ele seja afastado do Conselho de Ética da na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

O deputado estadual Delegado Olim (PP-SP) disse que a deputada estadual Isa Penna (PCdoB-SP) teve 'sorte' de ter sido assediada sexualmente pelo deputado Fernando Cury (União Brasil-SP) — Foto: Alesp

Olim falou na noite desta quarta em um programa de entrevistas na internet que a deputada teve "sorte" de ter sido assediada sexualmente pelo deputado Fernando Cury (União Brasil) em 2020 durante sessão na Alesp.

"Isa Penna, que sorte a dela. Ela vai se eleger por causa disso [do assédio que sofreu de Cury]. Sim, ela só fala nisso", disse Olim ao comediante e apresentador Rogério Vilela, no podcast Inteligência Ltda.

No programa, Olim ainda afirma que a deputada "vai conseguir se reeleger" por conta da repercussão que o caso teve.

Segundo nota divulgada pela assessoria da parlamentar, ela também estuda acionar o Ministério Público.

A parlamentar deixou o PSOL e se filiou ao PCdoB e deve concorrer como deputada federal.

Vídeos da Alesp gravaram à época o momento que Cury se aproximou por trás de Isa e apalpou seu seio.

“Por conta de tudo isso, entrarei com uma representação para que o deputado Delegado Olim seja afastado do Conselho de Ética da Alesp. Seu comportamento é desrespeitoso não só comigo, mas com todas as mulheres que todos os dias lutam contra o machismo, muitas delas suas eleitoras”, afirma Isa Penna.

Olim ainda minimizou no programa o assédio que Isa sofreu dizendo que Cury é um "cara do bem".

"Acho que ele [Cury] estava lá dentro dos gabinetes, ele bebeu. Porque ele é um cara do bem, todo mundo adora ele. Eu acho que o que ele fez ali, ele nunca mais vai esquecer na vida dele", falou Olim, que também foi relatador do processo de cassação de outro deputado estadual, Arthur do Val, o Mamãe Falei (União Brasil).

Nesta quarta, Arthur renunciou ao cargo de deputado estadual. Ele estava sendo cassado depois de um áudio vazar nas redes sociais com falas machistas dele sobre as ucranianas. O parlamentar havia ido a Ucrânia, que está em guerra com a Rússia, com a promessa de que iria ajudar os ucranianos.

Olim também divulgou nota à imprensa por meio de sua assessoria para informar que se "expressou mal" ao comentar o caso de Isa.

"O Deputado Deputado Olim diz que se expressou mal em sua fala, a intenção era dizer que a deputada Isa Pena ficou muito conhecida com o caso de assédio do Dep. Fernando Cury, e conhecendo o deputado, sabe que ele não teve em nenhum momento a intenção de fazer aquilo, mas mereceu ser punido porque mulher precisa de respeito sempre, aos que acompanham meu mandato veem clara a minha bandeira de combate a violência contra mulher em todos os níveis", informa o comunicado.

Importunação sexual

Em dezembro de 2020, um vídeo gravado por câmera da Assembleia Legislativa de São Paulo mostrou o deputado estadual Fernando Cury, na época no Cidadania-SP, passando a mão no seio de Isa Penna durante sessão extraordinária para votar o orçamento do estado. A deputada registrou boletim de ocorrência contra o deputado por importunação sexual.

Em novembro de 2021, o diretório estadual do Cidadania decidiu, por 27 votos a 3, pela expulsão de Cury do partido.

Cury foi notificado pela Justiça por importunação sexual em outubro do ano passado.

Ele foi denunciado na esfera criminal em março pelo Ministério Público e, desde abril, a Justiça tentava localizar e notificar o parlamentar para poder dar início ao processo.

Cury retomou o mandato na Alesp no início de outubro, após 180 dias de suspensão determinados pela Casa por passar a mão na também deputada Isa Penna (PSOL).

A defesa de Fernando Cury alega que ele "não teve a intenção de desrespeitar a colega do PSOL ou assediá-la" no que chamou de "leve e rápido abraço", mas a deputada o acusou ao Conselho de Ética da Casa Legislativa e defendeu a cassação do mandato dele.

Mudança de partido

Isa, atualmente no PCdoB, deixou o PSOL em 2022, após mais de dez anos na legenda. Ela pretende concorrer ao cargo de deputada federal nas eleições deste ano pelo novo partido.

"São 13 anos de militância desde o dia em que fui apresentada ao PSOL em uma reunião de jovens militantes na PUC-SP. Sou muito grata por tudo, tinha 17 anos quando entrei e tenho 30 quando saio. Tenho sede de disputar a realidade", disse ela em texto publicado nas redes sociais sobre a mudança.

No texto divulgado no dia da filiação, Isa relembrou o caso de assédio e comenta sobre o apoio feminino externo que recebeu, e cita que deverá disputar as eleições.

"Organizarei uma campanha de mutirão feminista, vermelha e popular. Às mulheres do PCdoB, chego para somar na vida de vocês e colocar meu coração e convicção à prova na prática".

Da Redação/Viva Notícias
Fonte: g1



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