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Dois de abril Dia Mundial do Autismo um dia pela defesa da pessoa com autismo

Neste sábado (2) é celebrado o Dia Mundial do Autismo, uma data que marca a luta em defesa da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). No Pará, o Grupo de Trabalho de Estudos e Ações Relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista estima que cerca de 80 mil pessoas, em especial crianças, necessitam do diagnóstico precoce e acompanhamento especializado. No Brasil, estima-se que dois milhões de pessoas tenham autismo.

Fonte/Pixabay

O TEA é uma condição neurológica caracterizada pela dificuldade de interação social e de comunicação, aliadas a comportamentos repetitivos e até restritivos. A médica psiquiatra infantil Yasmin Faro destaca que entre os principais sinais de autismo está a dificuldade na comunicação e na interação social. “Movimento repetitivos, hiperfoco e não sustentar o olhar por muito tempo também são algumas características”, disse a especialista em entrevista ao perfil Front Saúde, uma revista eletrônica no Instagram.

Yasmin defende que quanto mais cedo o diagnóstico, mais rápido e melhor se consegue trabalhar o desenvolvimento da pessoa com TEA, em especial crianças. “Existem 3 níveis de autismo e cada um deles define qual o grau de intervenção (acompanhamento especializado). O tratamento é personalizado, atendendo a necessidade individual de cada um deles”, sinalizou.

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Ela explicou ainda que a intervenção a qual se refere não trabalha somente o acompanhamento médico multiprofissional. Também foca o lado social afim de melhorar o desenvolvimento dos autistas.

Fábio Khalyl Monteiro tinha apenas 2 anos de idade quando foi diagnosticado com TEA. A mãe dele, Diana Monteiro, percebeu os primeiros sinais quando ele começou a balbuciar (gaguejar) e de uma hora para outra deixou de falar. “Percebemos que ele também não atendia quando chamado, não tinha medo de altura, ria e logo em seguida chorava”, lembrou Diana, que rapidamente procurou uma especialista.

Diana se formou em Fonoaudiologia para ajudar no desenvolvimento do filho

A vida dela e do garoto mudou completamente, é óbvio, mas, hoje, ela não tem dúvidas de que mãe e filho se tornaram pessoas melhores. Fábio já tem 14 anos de idade. “Eu aprendi a ser mais observadora, mais aberta para entender as coisas”, disse Diana, que buscou se especializar para ajudar de forma mais ativa no desenvolvimento do menino. “Eu fui estudar Fonoaudiologia para ajuda o meu filho e poder cuidar de outras crianças com TEA”, frisou.

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“O meu filho me faz olhar meus pacientes com outros olhos, a entender que o amor cura, que eu preciso cuidar da mãe/cuidadora tão bem quanto da criança que atendo no consultório”, comentou Diana sobre o crescimento pessoal e profissional que alcançou depois de saber que é mãe de um autista. “Eu não seria quem sou hoje (mãe e ser humano) se Deus não tivesse me permitido ser protetora de um anjo azul nesta vida”.

Em relação ao tratamento do garoto, a mãe diz que tudo é feito para que ele possa alcançar a máxima independência possível. A sua condição lhe permite manter Fábio matriculado em uma escola especial, mas defende que tanto as escolas públicas quanto privadas trabalhem a inclusão de alunos especiais de forma efetiva.

“Graças a Deus, com o avanço das iniciativas sobre o TEA, as pessoas têm procurado mais precocemente os tratamentos especializados. O que precisamos, ainda, é que sejam aceitas as diferenças, que os pais eduquem seus filhos para respeitar o coleguinha especial”, sinalizou.

Políticas públicas

O Pará é um estado pioneiro nas políticas públicas voltadas para as pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em junho de 2019, o governo do Estado implantou o Grupo de Trabalho de Estudos e Ações Relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista cujo objetivo foi discutir e planejar as políticas públicas voltadas ao tratamento e acompanhamento de autistas, entre elas a implantação de um Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista do Estado (Cetea) e a capacitação de profissionais de diversas áreas.

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Em maio do ano passado, o governador Helder Barbalho (MDB) sancionou a lei nº 9.061/2020 que instituiu a Política Estadual de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (PEPTEA) e criou o Sistema Estadual de Proteção dos Direitos dos Autistas e institui a expedição de Carteira de Identificação das Pessoas com Espectro do Autismo, que servirá para mapear a real demanda de pessoas com Autismo no Estado do Pará.

A construção do Cetea foi possível graças a esta lei. O espaço terá capacidade para atender mais de 150 usuários, de 02 a 59 anos, com TEA, a fim de promover assistência baseado em critérios científicos, mas principalmente servir como laboratório de formação profissional. Para as obras, o governo investirá cerca de R$ 3,3 milhões.

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“Estamos dando mais um passo nessa política de atendimento à pessoa com TEA. Enquanto as obras prosseguem, vamos continuar atendendo a esse público nos Núcleos de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Natea), em policlínicas do governo estadual. Além do Natea já implantado no CIIR (Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação), em Belém, nós implantaremos outros Nateas nas policlínicas de Capanema (Região Nordeste) e Tucuruí (Sudeste) até o final deste semestre. Em um ano, descentralizamos ainda mais os atendimentos para as futuras policlínicas em Marabá (Sudeste), Santarém (Oeste), Breves (Marajó) e Altamira (Oeste)”, destacou o governador Helder Barbalho, em entrevista à Agência Pará, no último dia 29.

Da Redação/Viva Notícias
Fonte: Dol



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