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Dois anos depois, Justiça Militar começa a julgar acusados pelas mortes de músico

A Justiça Militar julga, nesta quarta-feira (13), os 12 militares do Exército acusados pela morte do músico Evaldo dos Santos Rosa e do catador de latinhas Luciano Macedo ocorrido em 8 de abril de 2019.

Carro é fuzilado pelo Exército no Rio, causando a morte do músico Evaldo Rosa, de 51 anos — Foto: Reuters/Fabio Texeira

Depois de dois anos e meio e quatro adiamentos, o julgamento está marcado para acontecer a partir das 9h.

A Justiça vai analisar o que houve em abril de 2019 quando os militares efetuaram 257 tiros de fuzil contra o veículo de Evaldo que seguia para um chá de bebê com a família. O veículo foi atingido por 62 disparos de fuzil e pistola naquela tarde de domingo.

Além dos homicídios, os militares são acusados ainda de duas tentativas de homicídio contra os parentes de Evaldo que estavam no veículo e por se omitirem a socorrer os feridos na ocasião.

A defesa dos militares alega que uma das vítimas, o catador de latinhas Luciano Macedo, é criminoso e os soldados agiram em legítima defesa reagindo a uma tentativa de assalto. Nenhuma arma nunca foi apreendida.

Luciano, que estava próximo ao local onde o carro do músico foi fuzilado, também foi atingido quando tentava socorrer Evaldo. O homem morreu dias depois, no hospital.

MPM quer condenação de oito militares

O Ministério Público Militar (MPM) pediu à Justiça a condenação de oito dos 12 militares que estão no julgamento.

São eles:

Tenente Ítalo da Silva Nunes

Sargento Fábio Henrique Souza Braz da Silva

Cabo Leonardo Oliveira de Souza,

Soldado Gabriel Christian Honorato

Soldado Matheus Sant’Anna

Soldado Marlon Conceição da Silva

Soldado João Lucas da Costa Gonçalo

Soldado Gabriel da Silva de Barros Lins

O MPM também quer a condenação dos oito militares pela tentativa de homicídio do sogro de Evaldo, Sérgio Gonçalves de Araújo, que também foi baleado, mas sobreviveu. Ele estava no banco do carona do carro.

Além de Evaldo e do sogro, também estavam no veículo o filho de 7 anos do músico, a esposa dele e uma amiga da família – que não foram atingidos pelos disparos.

A promotora Najla Nassif Palma e o procurador de Justiça Militar Luciano Gorrilhas, nas alegações finais explicaram os pedidos:

"Os acusados definitivamente, por prova segura e inconteste dos autos, não estavam em situação de legítima defesa. Os militares apertaram os gatilhos de seus fuzis sem previamente certificarem-se de quem eram as pessoas à sua frente"

A promotora e o procurador acrescentaram que os militares apertaram os gatilhos "porque desejavam executar as pessoas que estavam dentro do veículo, acreditando que ali se encontravam os criminosos com quem haviam trocado disparos anteriormente".

No mesmo documento, o MPM pediu a absolvição de outros quatro militares que participaram da ação, mas que afirmaram em depoimento à Justiça que não efetuaram nenhum tiro. São eles:

Cabo Paulo Henrique Araújo Leite

Soldado Wilian Patrick Pinto Nascimento

Soldado Vitor Borges de Oliveira

Soldado Leonardo Delfino Costa.

Nas alegações finais, o MPM também pediu a absolvição de todos os 12 denunciados pelo crime de omissão de socorro.

Operação Muquiço

Evaldo e Luciano morreram no período em que o Exército ocupava a comunidade do Muquiço. A ocupação aconteceu entre os meses de fevereiro e junho de 2019. O motivo: traficantes do local invadiram, em 7 de fevereiro, os apartamentos onde vivem famílias de militares e que são chamados de Próprios Nacionais Residenciais (PNR). Cinco dias depois, a operação foi autorizada pelo comando do Exército no Rio de Janeiro.

Os criminosos, segundo as informações, eram comandados por Bruno da Silva Loureiro, conhecido como Coronel.

A ação militar teve início, em fevereiro, dois meses após o fim da intervenção no Rio de Janeiro, concluída em 31 de dezembro de 2018. De acordo com a Constituição, para exercer o poder de polícia e patrulhar as ruas é preciso que o presidente da República autorize o emprego do Exército através da chamada Garantia da Lei e da Ordem (GLO). E isso não ocorreu.

Em depoimentos na Justiça Militar, os militares envolvidos na ação sempre disseram que atiraram para impedir um assalto na Estrada do Camboatá e não relataram a "Operação Muquiço".

Alegações finais da defesa

Nas alegações finais do processo entregues à Justiça Militar em março deste ano, a defesa dos militares argumentou que os réus atuaram em "legítima defesa" e que trafegar pelas ruas do Rio, "naquela época e atualmente, são verdadeiras "roletas russas".

A defesa acrescentou que Evaldo estava em um "Ford Ka branco, com vidros filmados, pesado pela capacidade total de ocupantes" e que o veículo seria "semelhante ao utilizado pela P2 [serviço reservado da Polícia Militar]".

Segundo o advogado de defesa, o músico passou "por todas as barreiras dos traficantes em dia de guerra na favela" e opinou que, "infelizmente, ele [Evaldo] se coloca em risco juntamente com todos os que estão consigo nessa situação".

Da Redação/Viva Notícias
Fonte: g1



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